CORES DE PEIXES
Pergunte a um mergulhador o que é mais impressionante nos recifes de coral e ouvirá: a cor. As regiões rasas dos trópicos são famosas pelas variadas e intensas nuances dos habitantes dos recifes , e o visitante de primeira viagem surpreende-se com o fato de serem os peixes que exibem os mais grandiosos e mutáveis tons coloridos. Os invertebrados, as anêmonas e os camarões, as estrelas-do-mar e os nudibrânquios, para citar apenas alguns, apresentam cores riquíssimas; mas o que primeiro salta aos olhos são os peixes, as miríades de peixes que nadam por todos os lados.
Por que os peixes dos recifes tropicais precisam usar uma roupagem tão brilhantemente colorida? Afinal, isso não é comum para a maioria dos animais. A maior parte dos mamíferos tende a ter uma pelagem marrom ou cinzenta, para camuflar-se no meio ambiente. Os pássaros têm plumagem comum e muitos dos bem coloridos abandonam as cores ao final da temporada de acasalamento. Na verdade, a maioria dos peixes marinhos também é da cor da água e apresenta tons contrastantes — escuros no dorso e claros na região ventral — para dificultar a visão, tanto a partir de cima quanto de baixo. Assim, por que será que os peixes que vivem em redor dos recifes desafiam o que parece ser um procedimento regular, senão uma lei, da natureza?
A resposta não é simples, nem completa, nem clara. Muitas observações e descobertas levaram os cientistas a elaborar teorias e meias teorias que, tomadas em conjunto, permitem conclusões hesitantes. Uma delas garante que aqueles deliciosos tons coloridos dos peixes são produto de cromatóforos, ou células de cor, presentes em sua pele, que contêm compostos pigmentares chamados carotenóides. Esses carotenóides fazem parte da dieta dos peixes, os quais, sem eles, seriam capazes de produzir apenas pigmentos pretos e brancos. Devem seus maravilhosos tons de vermelho, laranja e amarelo, que tanto apreciamos, àquilo que comem; e devem os compostos pigmentares presentes em seus tratos intestinais aos cromatóforos da pele. Essas células de cor podem se expandir e contrair, alterando assim os padrões e a intensidade das cores da pele. Quando os cromatóforos se expandem, os pigmentos se tornam difusos e as cores esmaecem; quando se contraem, o pigmento se concentra e as cores se intensificam. Já a surpreendente iridescência (capacidade de refletir todas as cores do arco-íris) dos peixes dos recifes se deve a iridóforos, tipos de cromatóforos que contêm cristais brancos e opacos de proteína. Esses cristais refletem a luz de tal forma que os comprimentos de ondas cromáticas se chocam, criando assim aquela iridescência cintilante.

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